18.2.17

Resenha | Escândalo de Cetim

18.2.17


E mais uma vez nos encontramos com as Modistas da Maison Noirot. Você pode ler a resenha do primeiro livro Sedução da Seda aqui. Essa resenha contém – alguns - spoilers do primeiro livro.

Depois de Marcelline se casar com o duque de Clevedon, as coisas na loja ficaram um pouco “complicadas”. Quem está ajudando Maison Noirot financeiramente é o nosso querido duque e Sophia (a irmã loira e de olhos azuis) não quer aceitar que essa situação se mantenha. Além da loja – a irmã com talentos para desenhar chapéus - Sophia também se torna mestra dos disfarces pra escrever artigos do jornal Morning Spectacle. Ou seja, ela é mais “manipuladora”. 

"O amor não vai encontrar espaço em minha vida. Não sou como você. Não sou sensível. Se o amor quise tomar conta de mim, ele terá que se esforçar mais. Além de me dar um coice no traseiro, terá de me amarrar e me bater para chegar ao meu cérebro." - p. 17





Isso vem a calhar quando a cliente mais fiel Clara Fairfax sim, a mesma do primeiro livro – cai numa cilada. Ela acaba sendo seduzida por um lorde extremamente mal-intencionado, essa situação pode destruir a reputação da moça diante da sociedade londrina e a única solução óbvia é o casamento.

Mas não com Sophia por perto, claro.

Ela se junta do conde de Longmore irmão de Clara – para ajudar no plano perfeito da nossa Noirot. Harry (Longmore) é um tipo personagem sedutor de romance de época, que adora despir as moças. Imagina no que isso deu né? 
"Acredito que quis dizer que, assim como o tempo não espera por nós, nós não devemos esperar pelo tempo." - p. 196


Bom, eu gostei muito de Sedução da Seda. Mas Escândalo de Cetim foi um pouco demorado de ler, senti que o principal conflito se alongava demais, o que tornou a narrativa em terceira pessoa um pouco arrastada (pra mim). Sophia e Longmore tem uma dinâmica muito interessante no livro, o que transforma o principal conflito envolvendo Clara menos chato de acompanhar.


Ainda acho Sedução da Seda melhor que o segundo da série. Sophia tem uma personalidade bem forte, gosta muito de dizer que faz tudo sozinha e se enterra no trabalho o que impede muitas partes da sua vida – principalmente a amorosa – de irem pra frente. Mas vemos isso mudar durante a leitura... Bom, os dois principais conflitos são resolvidos, apesar de eu ter achado uma solução meio sem graça, talvez seja chatisse minha hahah.


Embora eu não tenha gostado tanto desse volume, continuo recomendando a série e quero ler o próximo pra conhecer mais uma das Noirot. 


"O senhor me apressa. Uma mulher não deve ser apressada quando se trata do coração." - p. 254

9.2.17

Cronicando | Favor se retirar

9.2.17
Foto por Rona Keller


Tem gente que cria laço na gente
entra sem pedir permissão e
causa pane geral.


Tem outros que aparecem 
de vez em quando,
a bagunça poderia ser controlada facilmente
mas não costuma ser assim.


Também tem uns que aparecem pouquinho,
mas sabem marcar,
engano seu achar que vai ser
fácil limpar.


Seria mais prático
entrar num acordo
só aparece ser for ficar
para ajudar a limpar depois.


Bagunça de um é
tranquilo arrumar
o problema é um ter que
ajeitar a confusão de dois.


Matemática simples de assistir,
mas não de resolver.


é só não ousar entrar


se não pretende permanecer
favor se retirar.
6.2.17

Resenha | Fellside

6.2.17


Jess Moulson vive um relacionamento abusivo e mora num apartamento com o respectivo namorado. Também no prédio vivia Alex, um garoto muito introspectivo, mas que acabou se ligando a Alex. A leitura se inicia quando Jess está no hospital, uma das enfermeiras informa que houve um incêndio no apartamento onde ela vivia com o namorado – inclusive de início a ideia do incêndio parece ter sido por causa do namoro. A nossa protagonista não sabe como o incêndio aconteceu e nem se alguém além dela se machucou – ela ficou com parte do rosto queimado, mas ela tem a face “reconstruida”. 

No julgamento dela - sim, ela acaba presa – Jess descobre que Alex morreu por conta do acidente. Como ela não se lembra de nada, acaba aceitando o fato de ter matado o menino e cria aquela culpa do sobrevivente.




A sentença dela é Fellside, uma prisão de segurança máxima. Mas como Jess meio que desiste de si, ela entra em greve de fome e seu estado é muito crítico. Ela já chega em Fellside indo pra enfermaria, e lá ninguém gosta dela já que ela foi condenada pelo assassinato – aparente – de uma criança.

Só que as coisas mudam quando ela sonha uma uma criança que está perdida no mundo dos sonhos/dos mortos e ela deduz que é Alex. Nisso ela decide que precisa viver pra ajudá-lo.

A história é bem interessante, ver Jess nessa luta pra salvar o “espírito” do menino e até procurar redenção pra si... O livro tem muitos capítulos, mas eles costumam ser pequenos o que torna a leitura bem rápida. O desenvolvimento dos personagens foi excelente e o correr da história também. Acredito que se você é fã de thrillers psicológicos, essa é a leitura pra você. 








3.2.17

Resenha | Algum Tipo de Amor

3.2.17
Em parceria com a autora

 Algum Tipo de Amor possui dois elementos que são tiro e queda pra mim: música e romance. Pois é, vi um post num grupo do Facebook onde a autora divulgava o livro e fui atrás dela. Fiquem com a resenha do livro de Letícia Kartalian

"Sabe aquela situação hipotética que sua mente acaba criando, mesmo contra sua vontade, que pode ou não vir de algum estimulo externo, em que você e outra pessoa poderiam ser pares perfeitos?"

Makena Taylor é uma artista já bem conhecida no meio musical, nascida em Nashville sempre foi uma menina muito reservada, principalmente porque o seu corpo não segue os padrões da sociedade. Apesar de todos os conselhos da mãe e de se aceitar como é, até chegar nesse ponto demorou um pouco. Com o violão compõem suas músicas que contam muito dela. Chuck Plith ficou conhecido por causa de vídeos no Youtube, seu companheiro na jornada musical é o piano com quem parece ter uma ligação intensa. 
 
"É engraçado, mas quando você se encontra, parece que o destino resolve brincar com você e tudo culmina para que você se desencontre novamente, saindo do prumo."

E é assim que num dia qualquer – mas que seria importante pra vida se ambos – eles se encontram num estúdio e é onde cantam juntos pela que seria a primeira vez de muitas. 

 


"Não havia como controlar os nossos sentimentos da mesma forma que controlamos as batidas de uma música."

Quando comecei a ler, postei um snapgram me siga no Instagram <3 – dizendo que um livro que a primeira música é Me Espera – Sandy e Tiago (amor da minha vida) Iorc – não pode ser ruim.

Dito e feito.

Algum Tipo de Amor é aquele tipo de livro que te pega de jeito feito aquela música que se torna sua favorita e não sai do repeat. 
 
A autora escreveu muito bem os personagens que ela nos propôs. Dois músicos que tem uma ligação intensa com o que fazem, dois apaixonados por compor. Que se encontram... O principal ponto do livro é a amizade instantânea dos dois, queria essa amizade pra mim. 
 
"É praticamente impossível manter distância de tudo e todos que não compartilham de nossa filosofia de vida, mas é possível determinar quando algumas amizades passam a fazer mais mal que vem e quando é imprescindível se afastar."

Makena é muito forte, apesar de algumas situações ruins do passado dela, envolvendo problemas de aceitação e com relacionamentos. Em determinado ponto da leitura onde a solução mais prática seria fugir, a achei incrível pela decisão que tomou: não fugir. Simplesmente seguir. É isso que a gente precisa fazer pra encarar a vida. Chuck também é um personagem muito interessante de acompanhar. Os conflitos que ele vive, sua visão da indústria e como ele é grato por estar onde está, aliás, os dois são muito gratos. Queria muito ter essa conexão que ele – e os artistas não fictícios – tem com um instrumento. De cara eu gostei dos dois, então, score!
 
"[...] Não foi até que ele estivesse fora da minha vida que eu, por fim, encontrei a minha voz."
 

"Porque não importa se você acha que não vai superar ou se acha que ama demais uma pessoa para esquecê-la. A vida sempre segue."
 
A narrativa é feita na primeira pessoa e intercala os pontos de vista de Chuck e Makena o que dá uma visão muito melhor dos sentimentos de ambos que são importantíssimos pra trama. E também é dividida entre “passado” e presente, e tudo é bem claro na diagramação.


É uma leitura muito gostosa, cheia de quotes maravilhosos e reflexivos. Não é só um romance musical, é uma história que te inspira. É interessante que a Letícia conseguiu inserir o cenário dos grandes cantores – em premiações, shows, estúdio – com excelência. É óbvia a pesquisa que ela fez para escrever a história. Parecia até que estávamos lá com eles, ou seja, a ambientação é AMAZING. Eu sou só elogios a essa leitura, recomendo muito. A escrita dela me impressionou, é visível a habilidade dela com as palavras, a conexão com os personagens dela... Enfim, maravilhoso.

"Se as primeiras decepções amorosas são as que mais machucam, elas também são as primeiras a fazerem você crescer, aprender, refletir. Preferia sofrer uma decepção cedo na vida do que passar toda uma ela regada a mentiras. O tombo, depois, seria bem maior."

Ps: se você reparar uma semelhança com a Meghan Trainor e com o Charlie Puth não é mera coincidência! Inclusive, a maior parte das canções que dão início aos capítulosque possuem uma leitura extremamente fluídasão dos dois cantores.


Não percam mais o tempo de vocês e adquiram o e-book na Amazon (QUERO O LIVRO FÍSICO PRA ONTEM, EDITORAS).

 
 
"Seria como quebrar a cabeça tentando encontrar em outras pessoas uma combinação de acordes que se encaixasse tão perfeitamente nessa combinação que já existe na gente. Que harmonize como uma só. Algumas notas simplesmente não soam bem juntas, não importa o quanto você tente. Na música e na vida."


Bela Psicose - 2016

Design e Desenvolvimento por Moonly Design / ©