8.12.16

Resenha | O Garoto dos Meus Sonhos

8.12.16
Recebido em parceria com a Globo Alt

Alice Rowe está de mudança com seu pai – cientista - e o cachorro Jerry para Boston. Ela não gosta tanto da ideia porque sua melhor amiga Sophie ficou na cidade antiga e agora ela está sozinha. 
 
 A não ser pelo seus sonhos. Max. Desde que ela consegue se lembrar, desde muito pequena Alice sonha com Max. Ele é seu amigo/namorado/parceiro da vida, mas apenas em sonhos. Alice não o conhece e nem sabe se ele existe na realidade.
 
"[...] Em nossos sonhos, nós somos todos pintores surrealistas, criando narrativas e imagens que são frequentemente tão sem sentido quanto são lindas." - p. 112 

Em seu primeiro dia de aula na nova escola conhece Oliver que é uma espécie de garoto problema, só que bonzinho – e com ele faz amizade. Mas a grande surpresa de Alice é quando entra na sua aula de Psicologia Social e encontra nada mais e nada menos que Max.

Sim, Max... o garoto dos sonhos dela. Mas nem tudo é tão fácil quanto nos sonhos. 
 
"[...] Estou começando a perceber que talvez eu nunca o tenha conhecido. Não por completo de qualquer forma. E que sonhos e realidade estão longe de ser a mesma coisa." - p. 95
 


"É a natureza humana, claro. Queremos definir o que não entendemos." - p. 57

No início do ano, eu comecei a ler esse livro pelo kobo e em inglês com o título de Dreamology, mas não consegui prosseguir com a leitura. Nisso, eu vi que a Globo Alt iria lançar e fiquei animada em tentar de novo. E ainda bem que eu tentei de novo.
 
"[...] Às vezes você não pode apenas desligar, mesmo quando sabe que é errado. As pessoas não podem apenas desligar o que sentem porque alguém diz isso para elas." - p. 171

A escrita da Lucy é muito gostosa e até poética. A ideia do livro é diferente e achei que ela desenvolveu bem, achei que a explicação dos sonhos ia ser super tosca e me decepcionar, mas na verdade, ela encontrou uma visão muito interessante pra isso. Os personagens são todos muito cativantes, gostei de todos, sem exceções. Lucy colocou conflitos na vida da Alice envolvendo a mãe e resolveu bem. Ela propôs situações e deu resposta pra elas. Até o conflito envolvendo o Max foi bem colocado e resolvido. Gosto tanto de livros assim, que te deixam satisfeitos em lê-los. Até os personagens secundários – Sophie e Oliversão bem estruturados como pessoas e tem partes importantes na história.




A narrativa é feita na primeira pessoa pelo ponto de vista da Alice. E às vezes intercalamos com alguns dos sonhos de Max e da moça. A autora mostrou que é ótimo ter os sonhos, mas quando eles se tornam tudo que você tem, pode criar problemas ainda maiores em você. O ponto “moral” da história foi muito bem colocado e eu amei essa leitura. Desde a capa até o final.


Leiam esse YA, nossos personagens tão na faixa etária de 16/17 anos. É uma leitura bem leve e rápida. Vale muito a pena <3. 
 
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"Só porque não conseguimos controlar a maneira como nos comportamos em sonhos, não quer dizer que o que acontece nos sonhos não importa." - p. 105


6.12.16

Resenha | Muito Amor Por Favor

6.12.16

Muito amor por favor une 4 talentos – Arthur Aguiar, Frederico Elboni, Ique Carvalho e Matheus Rocha – em crônicas sobre amor. O diferencial aqui é que cada um ficou encarregado de um elemento da natureza.


Vamos por partes. O livro começa com Amor é Fogo, as crônicas são escritas pelo Ique. Não conhecia a escrita dele, mas fiquei surpresa. Ele tem uma escrita macia, calma que contam experiências e por ser fogo, ele mostra que o amor pode queimar. Aqui vemos o lado do amor atitude, colocar a cara no sol (sem trocadilho) e ir pro jogo que nem sempre é fácil.
 
"É difícil saber exatamente quando começou essa paixão que, um belo dia, me fez perceber que o calor que arde aqui dentro se chama VOCÊ." - O que arde dentro de mim



Depois temos a Terra por Matheus Rocha, conheci a escrita gostosa dele em No Meio do Caminho Tinha Amor (resenha aqui). Aqui ele mostra um amor mais sereno, menos fantasioso. Mais “pé no chão”. Isso é um aspecto do próprio autor, pois no seu livro ele também mostra um lado muito real do sentimento. Seus altos e baixos. Amor é terra e podem acontecer terremotos. Acho que foi o elemento perfeito pra ele. Sem dúvidas. O Matheus tem um jeito todo especial e poético de escrever e eu acho isso inspirador nele.  

"Tenho pressa de amar. Pressa de viver um amor. Pressa de ser amado. Pressa de ser o amor de alguém. Mas, como já disse, o amor tem um quê de paciência. Não se preocupa com nossas ansiedades, prazos, agendas, horários e compromissos. Ele está, quase sempre, atrasado. Mas, quando chega, é como se a solidão nunca houvesse existido." - A pressa dos apaixonados
Em sequência vem Arthur Aguiar com a Água. Foi uma surpresa descobrir que ele escrevia e tão bem assim. Ele tem uma escrita mais solta e informal, diferente porque ele escreve de uma forma “divertida”. Ele traz o aspecto tempestade do amor. Me envolvi com os textos, mas foi um primeiro contato que me chocou ao mesmo tempo que me encantou. Faz sentido? Haha 

"O tempo parece voar.
Queria fazê-lo parar.
Pra poder te lembrar o quanto eu quero você!" - Quando um vira par



Encerrando o livro vem o Frederico com o Ar. Conheço a escrita dele dos textos do EoH, nunca li os livros dele, mas eu deveria parar de perder tempo. Assim como o Matheus, acho que o elemento caiu como uma luva pra ele. Sempre tive a impressão dele ser muito leve, tipo o ar, mas às vezes vem aquela ventania que te arrasta. E é isso que ele passa pros seus textos. A gente tem a impressão de que por ser Ar, o amor é calmo, mas na realidade, podem chegar os vendavais. Enfim, Frederico também arrasou. 

"Existe coisa mais gostosa que o perfume de alguém que esteve conosco? Ela é perfume, ventania e sorriso. Perfumar, que verbo lindo; me lembra tanto ela..." - Ela é perfume, ventania e sorriso

Foi impressionante o que cada um em sua essência fez com os elementos. Os textos fazem sentido e homem sabe sobre amor sim, viu. Pode acreditar. Fui cativada por esse livro. Mandem mais que tá pouco, Sextante! 
 
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1.12.16

Resenha | Criaturas Estranhas

1.12.16
Recebido em parceria com a Rocco

Criaturas Estranhas é uma coletânea de contos organizada pelo Neil Gaimanque também escreveu – envolvendo elementos de fantasia que são muito bem-vindos de vez em quando pra gente dar um pulo em um universo mais mágico, certo?


O leitor consegue nitidamente ver a influência de Gaiman nos contos porque neles vemos animais totalmente criados pelos autores e nosso organizador diz que achava que faltavam lobisomens e unicórnios em um museu. Pois é!

“Nunca fiquei surpreso de eles não terem uma fênix em exposição. Só existe uma Fênix por vez, claro e enquanto o Museu de História Natural estava cheio de coisas mortas, a Fênix está sempre viva.”


A leitura é extremamente divertida, algumas histórias contém um fundo moral, como a minha favorita EVER – O Grifo e o Cônego Menor – e em sua maioria tem seres bizarros tipo um cacatuano, mas também temos seres conhecidos da fantasia, como citado lobisomens, sereias e até abelhas anarquistas – sim. E mesmo sendo fantasiosas todas aparentemente tem um ponto em comum, mostrar algo relacionado ao ser humano. Ou seja, torna a leitura uma reflexão importante, mas leve que não é literalmente jogada na sua cara.


“Você está brincando com fogo.' Ela o avisou. 
'É assim que eu sei que estou vivo.”

Claro que temos contos que não são essa maravilha toda, como em todos os casos de coletâneas. Antes de cada uma das histórias temos uma pequena introdução nos contando de forma humorada quem está escrevendo. E também temos ilustrações incríveis de Briony Morrow-Cribbs que dão um toque mágico na leitura.

É uma experiência muito gostosa de leitura, acho que o livro é pra qualquer público. A edição da Rocco tá maravilhosa e eu nem sei mais o que dizer de tão lindo que esse livro é.

Apenas leia. 
 
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“Mas eu sabia como visitar as criaturas que nunca seriam vistas em zoologicos ou museus ou florestas. Elas estavam me esperando nos livros e nas histórias.”

28.11.16

Resenha | O Príncipe dos Canalhas

28.11.16
Recebido em parceria com a Editora Arqueiro

O Príncipe dos Canalhas é um romance de época da autora Loretta Chase. Já tive contato com a escrita dela em Sedução da Seda (veja a resenha).

Nesse livro conhecemos Sebastian Allister ou Marquês de Dain. Muito rejeitado pelo pai na infância por sua aparência monstruosa e por ter crescido sem sua mãe, acabou virando um homem que nenhuma dama respeitável busca compromisso – apesar de ser bem rico – e ele pouco se importa. Vive uma vida regada à depravação. 

Jessica Trent tem uma única missão ao chegar em Paris, resgatar seu irmão Bertie da influência do lorde Belzebu (um dos inúmeros nomes de Sebastian/Lorde Dain). Ela é bem independente e segura, foge um tanto da época e não liga muito pra polêmicas.

Dain e Jessica tem seus caminhos cruzados de forma um tanto quanto interessante. Os dois – cada um em seus próprios pontos de vistaficam “mal falados” nas suas respectivas sociedades e agora eles tem que resolver isso.
 

"Quanto maior o inimigo, mais dolorosa é a queda. E mais o mundo gosta de vê-lo cair." - p. 103



O romance aqui é um tanto diferente. Digo, pelo desenrolar de toda a situação. Também achei muito envolvente a forma como a autora mostrou cada lado dos nossos personagens quando suas reputações ficam por um fio depois de certa ocasião na narrativa. Só achei irônico como Jessica se afetou mesmo sendo uma mulher tão segura de si. Foi o único ponto dessa bagunça - gostosa que é esse livro - que não se encaixou ao meu ver.

"A Bela e a Fera. Era assim que Beaumont os descreveria, aquele desgraçado de língua venenosa." - p. 130

A narrativa é feita na terceira pessoa e tem uma leitura bem fácil. Às vezes encontramos umas palavras em italiano, mas isso é resolvido pela tradução que logo aparece pra nós. Loretta foi bem feliz desenvolvendo tanto Dain como ser humano, quanto Jessica como uma mulher forte, sem deixar de ser romântica. Me vi envolvida pela história dos dois. A reviravolta não é tão grandiosa, mas se encaixa no livro. A escrita é leve e bem divertida já que Dain e Jessica parecem cão e gato um em relação ao outro.

Recomendo o livro, é uma boa leitura pra sair de ressaca literária - meu caso - ou simplesmente pra relaxar. 

"Você deve pensar que não há um único átomo de romantismo no seu corpo. Se encontrasse, você o destruiria. Mas não precisa se preocupar. Nem em sonho vou denunciá-lo." - p. 155

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Bela Psicose - 2016

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