28.9.16

Resenha | A Garota Sem Passado

28.9.16

A Garota Sem Passado traz a história de Meg Miller. Quando tinha apenas 2 anos, na noite do dia 22 de Setembro de 1991 – inclusive, o dia que eu terminei de ler o livro – sua mãe Allie Miller é assassinada depois de uma festa na casa. O suspeito é o pai e marido Ramsey Miller, já que no mesmo dia ele desapareceu, levando consigo a filha. 

O que todo mundo da cidade de Silver Bay acha é que Ramsey e a filha morreram.

"Ele não deveria ter ido até ali. O passado era como um peixe tirado do mar: escorregadio e nunca tão bonito quanto você imaginava." - p. 94

O que ninguém sabe é que ela agora com 17 anos, vive com os “tios” Wayne e Kendra na cidade de Fredonia com um novo nome: Melanie Denison. Ela entrou junto dos tios em um programa de proteção a testemunha. Com eles, ela vive uma vida cheia de regras, nada de internet, nada de se expor demais. Porque sempre existe o perigo de Ramsey vir atrás dela.

A Garota Sem Passado

A primeira problemática da história é que Melanie se envolve com um dos seus professores, Philip e acaba gravida. E agora, ela decide que não quer que seu filho/filha viva com medo, como ela nos últimos anos de sua vida. A jovem acaba voltando para Silver Bay com a intenção de fazer o que ninguém até agora conseguiu: encontrar seu pai.

"Esse não é o problema de todos nós? A maldita falta de tempo." - p. 93

Bom, esse livro foi uma grata surpresa. Pelo tamanho, fiquei com um pouco de medo da história não ser tão bem desenvolvida. Já que a maior parte das histórias de suspense/mistério são bem grandes. Mas ainda bem que eu estava enganada.
A narrativa é feita na terceira pessoa e os capítulos intercalam o ponto de vista da vida da Melanie no presente e de Ramsey no passado (em 91). Mas eu acho que o ponto de vista de Melanie vem desde o início porque nas ultimas páginas ele é importante, mas se não fosse por isso, não seria necessário. Ou poderia ter começado mais no final do livro.


A Garota Sem Passado

A escrita é muito interessante e fluída. Os capítulos são curtos, mas a história foi tão bem pensada que eles suprem toda a necessidade que o enredo precisa. As reviravoltas são ótimas, eu pensei em duas possibilidades, uma delas se aproximou em alguns aspectos do que o autor escreveu. Fiquei bem surpresa com a desenvoltura dele, tanto dos personagens quanto da narrativa em si. Claro que alguns personagens secundários poderiam ter sido excluídos da história, mas nem tudo são flores né? Fora isso, embora a conclusão tenha sido ótima, fiquei um pouco triste com a impressão que tive. Mas não vou contar pra não dar spoiler. Caso você tenha lido, me contate e vamos debater. 

Se você curte uma narrativa rápida, mas ao mesmo tempo instigante e de romance policial, A Garota Sem Passado é o livro pra você! 

"Enquanto julho virava agosto, que virava setembro, ele começara a sentir, com frequência, uma certa carga elétrica no ar, como se uma tempestade fosse iminente mesmo nos dias de céu azul." - p. 99



Resenha | Achados & Perdidos


Millie Bird tem 7 anos. Ela tem uma fixação com a morte, incluindo um caderninho de “Coisas Mortas”. O pai faleceu recentemente e a mãe acabou ficando meio perdida e acabou abandonando a menina em uma loja de departamentos. Isso mesmo. Abandonou uma menina de sete anos. Mas a menina obviamente não percebe isso e sendo uma boa filha fica escondida esperando ela voltar. 

Lá ela conhece Karl – o digitador, por ele ter o costume de digitar tudo no ar – um senhor de 87 anos muito estranho em vários aspectos. Millie se esconde o máximo de tempo possível na tal loja, mas acabam a encontrando e dizendo que vão mandá-la pra outros pais, com medo dessa possibilidade, ela foge e volta pra casa. Nisso, ela faz mais uma amizade estranha com sua vizinha de 82 anos, Agatha

Karl, Agatha e a menina partem numa missão de encontrar a mãe – lê-se desmiolada.


Bom, eu tentei bastante gostar do livro. Mas desde o início eu senti muita dificuldade de me ligar aos personagens. Tudo me pareceu muito estranho, eu tive a impressão de que a autora não teve muitas experiências na vida pra colocar no livro e ai foi tudo muito imaginado. Fora o fato de que algumas coisas no livro nem pareciam muito reais sabe? 

A leitura foi um pouco arrastada, fiquei meio agoniada com isso. Ela era muito sentimental, mas ao mesmo tempo estranha. Se tenho uma palavra pra descrever esse livro é estranho. Foi difícil.
Sobre a mãe: prefiro não comentar.

Não funcionou comigo, mas se você leu e teve uma opinião diferente, me contatar por favor.



21.9.16

Resenha Premiada | Labirinto

21.9.16
Recebido em parceria com a Darkside Books

Hoje vou falar de um livro encantador: Labirinto, um lançamento da Darkside Books. Só avisando, esse é um daqueles posts enormes cheios de fotos e gifs.

Na história temos Sarah, uma jovem que vive com o pai, a madrasta – de quem ela tem raiva - e seu meio-irmão Toby de quem ela às vezes não gosta muito. Não se sabe da mãe dela.

Em dada noite quando o pai e a madrasta saem, algo que acontece bastante, Sarah tem que cuidar do meio-irmão, enquanto ensaia para a peça da escolaLabirinto – em que precisa decorar determinadas falas, mas tem muita dificuldade de se lembra da finalização de uma espécie de pedido/encantamento.



Logo nesse dia, Toby resolve dar mais trabalho que o comum e a menina acaba citando as palavras da peça, onde duendes “roubam” o bebê. O que ela não esperava é que isso realmente fosse acontecer. 

"Eu desejo que os duendes realmente venham e levem você embora... agora." - p. 28

19.9.16

Resenha | Confissões do Crematório

19.9.16
Recebido em parceria com a Darkside Books

Confissões do Crematório é o livro de Caitlin Doughty, uma agente funerária que conta as suas primeiras experiências no trabalho. Ela, com seus 23 anos entrando em um universo onde a morte é o foco. Interessante não? 

O livro em si já chama a atenção pela temática. Uma jovem narrando suas experiências com a morte. A MORTE. Um assunto tão complicado de ser falado pela nossa vontade de viver pra sempre, pelo nosso medo de um dia morrer. Mas a morte vem pra todos um dia. E é isso que Caitlin quer mostrar. Que não é algo a ser temido, é só algo que você deve aceitar que vai chegar e continuar vivendo sua vida normalmente até lá. 

"Nossa identificação humana com os mortos sempre nos faz ter a impressão de que o falecido deve estar sentindo dor, embora o vazio nos olhos do homem me dissesse que ele tinha abandonado a propriedade proverbial há muito tempo." - p. 31

Confissões do Crematório
Confissões do Crematório


A sua primeira experiência de morte veio quando ela tinha apenas oito anos. Estava em um shopping e viu uma menininha caindo de uma escada rolante, de uma altura muito grande – valeu aí, eu nem tinha medo das tais escadas rolantes, agora então... –  Como é óbvio, seus pais levaram ela no outro dia, depois de uma noite mal dormida da pequena Cait,  para comer panquecas e nunca mais falaram do “incidente”. 

Isso a marcou mais do que podia-se imaginar, tanto que ela escreveu um livro sobre a verdade em relação a morte. Coisas que você não ouve as pessoas conversando numa roda de amigos. “E aí, como você quer seu caixão?”

"Aquele baque, o barulho do corpo da garota batendo no laminado, se repetiria na minha mente sem parar, um baque surdo atrás do outro." - p. 44

Confissões do Crematório
Confissões do Crematório


"O mais surpreendente nessa história [da sua primeira experiência com a morte] não é uma garota de 8 anos ter testemunhado uma morte, mas o fato de ela ter demorado oito anos inteiros pra isso." - p . 45

A escrita da Caitlin é bem fluída, ela tem um certo humor – que traz do seu canal no Youtube – que faz com que se alivie a leitura, mas sem deixar de falar duras realidades. Tipo o cheiro da decomposição de um corpo ou um suicida que os pais contrataram o serviço de cremação por telefone para não ter que encarar a situação de fato. Muitas coisas na leitura me incomodaram - no sentido de que me fizeram refletir. Outras foram surpreendentes e outras eu sabia inconscientemente. E isso porque eu também nunca havia parado pra pensar que essas determinadas coisas aconteciam de verdade.

"A mãe estava morrendo e a filha sabia. Recusar-se falar sobre o assunto e chamar a morte de inesperada não é uma desculpa aceitável." - p. 119

Confissões do Crematório é obviamente uma não ficção, mas é fácil se deixar levar pela leitura. Algumas coisas que ela fala são tão estranhas que realmente parecem inventadas, mas é só porque a gente não busca saber mais sobre a morte. 

Recomendo a leitura para quem planeja morrer – como está na capa do livro – e sim, todos vamos. Então por que não? 


Confissões do Crematório

"Mesmo que passemos o dia encontrando jeitos criativos de negar nossa mortalidade, por mais poderosos, amados e especiais que nos sintamos, sabemos que estamos fadados à morte e à decomposição. Esse é um peso mental compartilhado por poucas e preciosas espécies na terra." - p. 70

Bela Psicose - 2016

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