15.2.14

[Coluna Zofia] Adeus.

15.2.14
O sol começava a desaparecer no oeste, por trás de algumas nuvens bem brancas, deixando o céu com o belo tom alaranjado. Depois de muito tempo eles teriam a chance de conversar a sós, sentados em um banco abaixo de uma árvore frutífera, na varanda da casa dela. A situação não era boa ou amigável. Era confusa, estranha, tensa e degradante.

— Não é tão simples. — Ela disse por impulso, afim de quebrar o silêncio torturante, enquanto observava o machucado no queixo do rapaz. — As coisas não acontecem quando a gente quer e sim quando tem que acontecer. Não é a gente que escolhe, não é a gente que decide. Tudo tem sua hora. — Ele deu de ombros, apenas esboçou um sorriso, visivelmente lhe contrariando. 

— Muito fácil pra você, né? Quando tem alguém ao seu lado. — Ela revirou os olhos, conversas que sempre começavam e terminavam do mesmo jeito. Conversas que lhe deixaria tristonha pelos próximos dias. Os dois pares de olhos castanhos se cruzaram por um segundo, antes que eles desviassem o olhar, ambos fitando o chão.

— Muito fácil pra você, que só vê o seu lado. Antes que a gente recomece as nossas costumeiras discussões, me responde uma coisa? 

— Fala… — "Mais uma das perguntas idiotas, como sempre", pensou, enquanto esperava a garota falar. Após uma longa pausa e um suspiro prolongado da parte dela, a pergunta enfim soou de seus lábios avermelhados por um batom qualquer. 

— A gente ainda vai dar certo em algum momento, confere? — A simples pronuncia da palavra “confere” lhe fez sorrir e, de algum modo, relembrar de muita coisa. O passado dos dois não era tão distante assim, mas era cheio de lembranças boas, até mesmo as brigas, que terminavam em declarações de amor, que não levavam a nada. 

— Eu espero que sim. — Disse, encarando-a. Ela suspirou de novo, mas dessa vez, ele suspirou ao mesmo tempo. — A gente se encontra. — Seus lábios tocaram a bochecha corada da garota, que abriu um sorriso e fechou os olhos, sentindo apenas a presença dele se afastar. Um vazio repentino encheu o lugar, uma dor cortante lhe invadiu.

O que lhe machucava não era o estar apenas acompanhada de um problema, criado por ela mesma, e boas lembranças. O que lhe machucava era saber que o coração daquele rapaz tinha uma enorme ferida que jamais seria curada, mesmo que em algum momento fosse esquecida. Uma ferida que ela lhe causou sem intenção.

Um comentário:

  1. Lindo texto! Adorei! *_*
    Minha parte preferida foi: "O que lhe machucava era saber que o coração daquele rapaz tinha uma enorme ferida que jamais seria curada, mesmo que em algum momento fosse esquecida. Uma ferida que ela lhe causou sem intenção."

    UAU! *___*

    Adorei seu blog, já estou seguindo!

    Beijos, Jac
    http://behind-thewords.blogspot.com.br/

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