24.2.14

[Conto] Mistério de família

24.2.14



Louise era uma menina muito peculiar. Saía de casa apenas para ir à escola e raras vezes ao belo jardim que sua casa tinha para ler ou apenas para observar aquilo que ela nunca aproveitara. As crianças brincando, os casais enamorados em piqueniques ou só o voo dos pássaros que davam uma sensação de liberdade que ela nunca pode sentir. Ela não era dessa forma por opção própria, seus pais eram muito protetores, tinham medo de que acontecesse a mesma coisa com a filha deles que ocorreu anos atrás com uma das irmãs de sua mãe. Angelique havia saído para a casa de uma amiga, mas nunca voltou; não se sabe o que aconteceu, a polícia nunca descobriu. Só se sabia que a irmã era tratada da mesma forma que Louise, mas em uma vez que a mãe deu oportunidade esse evento trágico ocorreu. Quando Suzanne contou sobre isso para Louise, que achou a história estranha e decidiu tentar investigar com os documentos e registros da época que havia na sua casa e na casa de sua avó. A jovem descobriu muitos furos entre interrogatórios de amigos, familiares e até contradições dos próprios relatos policiais.

Em uma noite qualquer decidiu sair escondido, precisava de mais alguma coisa. Ela havia encontrado um pequeno papel com um endereço nas coisas antigas da tia e como era perto, resolveu ir. O plano era voltar antes de sua mãe vir ao quarto para checa-la como fazia todos os dias. Pegou as chaves do carro e saiu da maneira mais silenciosa que existia. Já eram quase dez da noite quando saíra de casa, porém onde morava esse era o pior horário para uma garota sair sozinha, mas ela não tinha medo. Foi até a rua indicada no endereço, encontrou uma casa muito bonita, mas claro, devia ter sido reformada no meio desses quase 20 anos. Louise desceu do carro e tocou a campainha, da porta saiu um rapaz muito formoso com seus 18 anos assim como ela, mas logo voltou a se focar no que tinha ido fazer.

O rapaz educadamente falou: – Olá! Posso ajudá-la?
Ela sem jeito falou entre pausas nervosas: - Oi... eu... queria saber se...se... alguém da sua família tem esse nome - ela leu o papel e disse: - Miguel... - ela leu com dificuldade o sobrenome - Miguel Magalhães. O garoto olhou com espanto para ela e rapidamente pediu para ela entrar.

– Ele era meu tio, digo era, pois sumiu faz alguns muitos anos. Ela o encarou e falou: – Achei esse bilhete em uma caixa de coisas da minha tia e ela também desapareceu sem motivo aparente.
Os dois olharam um no olho do outro, mas o rapaz logo desviou e falou. – Não me apresentei ainda, sou Marcos. Qual seu nome? - disse estendendo a mão.
– Ah prazer, sou Louise. - apertando a mão de Marcos.

Os dois conversaram sobre a história do desaparecimento, mas logo ela percebeu que o tempo havia passado e teve que sair correndo, porém antes ambos trocaram números de celular. Ela entrou pela janela de forma desajeitada e se deitou na cama, minutos depois Suzanne apareceu para ver se a filha já estava dormindo. Entreabriu a porta e saiu depois de poucos segundos. Louise ficou pensando no mistério que estava em suas mãos e caiu no sono.

No dia seguinte, Marcos ligou para ela logo cedo para marcar em algum lugar, ela então decidiu que deveria ser perto de sua escola, e no horário da aula. Assim faltaria e poderia ir sem maiores problemas. Uma hora depois eles estavam no parque querendo descobrir qual era a ligação dos seus tios e o porquê de terem sumido. Marcos levara um pequeno baú com coisas de seu tio, assim como Louise fez, eles começaram a trocar suas informações e perceberam que um escrevia cartas para o outro. Ela dizia que não queria viver mais sobre o domínio dos pais, e ele que queria estar perto dela, não importa o que tivesse de fazer. E assim os dois jovens perceberam que seus tios tinham fugido juntos; em uma das cartas, Miguel falava para Angelique deixar suas malas prontas que partiriam para uma cidade pequena chamada Forest, que pelas pesquisas de Louise era a muito distante de onde eles moravam. Não existira a possibilidade de os dois irem para lá investigar sobre os tios, ou pelo menos eles ainda não tinham descoberto como. Alguns dias depois, Marcos veio com uma ideia um tanto geniosa, a garota deveria fugir, assim como a tia fez, mas voltaria na noite seguinte. No início ela não gostou da ideia, desconfiou dele, mas depois de muito ele insistir, aceitou fugir com ele para irem até a pequena cidade. Eles saíram após a mãe da menina ir checar o quarto, foram no carro de Marcos, pois ela dividia o seu com seus pais. Deixá-los sem carro não era uma opção.

Já era tarde da madrugada quando o carro parou no meio da estrada em uma área escura, o motor devia ter se fundido, disse o rapaz que parecia assustador nas luzes da noite. Ele então saiu para ver o que acontecera, mas deixou o celular no carro, ele deu o sinal de mensagem nova e Louise não achou que seria um problema ver. Assim que leu o nome do remetente da mensagem percebeu que era Miguel, o tio desaparecido. Marcos nunca havia citado que tinha contato com o tal parente. A maior surpresa foi quando leu o conteúdo da mensagem que dizia para o menino levá-la logo ao seu 'destino final' aquilo a assustou. Ela desceu do carro e questionou o rapaz, ela estava com raiva por ter sido enganada. Marcos friamente disse: – Assim como sua tia foi idiota, você também foi. Parabéns! Bem vinda ao clube das desaparecidas meu amor.

Ela foi pra cima dele, mas já era tarde, ele estava à sedando desde o início da viagem, o efeito foi conveniente e ela caiu no sono.
Quando acordou, estava em um quarto com paredes rabiscadas, viu muitas fotos de sua tia numa espécie de altar e em uma delas, ela estava amarrada assim como Louise estava no momento. Naquele instante ela percebeu que tudo era um plano de Miguel e Marcos.

Desde o início, ela tinha sido enganada para acabar da mesma forma que sua tia. Miguel apareceu na porta daquele quarto que parecia cada vez mais assustador, e com uma voz grave falou:
- Esse é o fim do seu grande mistério!
Ele segurava uma faca que fincou sem nenhuma piedade, no local onde existira um coração sonhador, esperançoso e curioso que levara a garota a seu próprio sacrifício.

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3 comentários:

  1. Adorei o conto. Parabéns Ana.

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    Simplesmente, adorei.

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