13.11.14

[Conto] E Se?

13.11.14

         A casa, tão bagunçada quanto a mente, a cômoda ao lado da cama continha uma lista que dizia:

- Pó de café; 
- 2 caixas de cigarro Marlboro; 
- Leite; 
- Remédio para enxaqueca; 
- Whisky

       Joshua era tão desorganizado quanto qualquer homem solteiro-desiludido depois de um término de namoro. Não daria braço a torcer, mesmo que a culpa tivesse sido da maldita traição da antiga namorada, de que estava sofrendo.
      Resolveu ir comprar as coisas que lhe "faltavam" em casa. Mesmo que faltasse quase tudo ali, o que continha na lista era o que ele achava necessário e importante pra si. Chovia bastante, mas era teimoso para desistir de suas coisas, se não fosse logo, nunca iria. Ao chegar à mercearia que havia perto de seu apartamento, esbarrou em uma garota. Ele estava com pressa, mas parou para ajudar a moça a recolher as coisas que tinham caído.

- Olha... Olha, desculpa, eu tava distraída. - Disse a moça de cabelos longos e negros. Joshua levantou os olhos e fez o que até então não havia feito, olhou para a pessoa que estava à sua frente.
- Não se preocupe, eu também tava com um pouco de pressa. - Ele falou como um bobo, já que estava encantado com a beleza da menina, mas lembrou-se de perguntar:
- Como é seu nome?

       Ela levantou a cabeça, se pôs de pé, estendeu a mão e falou:

- Meu nome é Emma, se é pra se apresentar deve ser de uma forma mais normal. Se bem que essa situação não tem nada de normal. - Ela sorriu Joshua continuava bobo e sorriu junto.

- O meu é Joshua. Foi um prazer esbarrar em você.

A moça resolveu ajudar Josh a fazer suas pequenas compras, e ela riu ao ler a lista.

- Se eu precisasse só disso, minha vida seria mais fácil lá em casa

Essa frase o deixou apreensivo. Não tinha reparado nenhuma aliança que demonstrasse que ela fosse comprometida, mas decidiu perguntar.

- Você é casada? Ela soltou um ar de ironia, e disse: - Eu casada? Jamais, pelo menos não agora, já sou bagunçada demais sozinha. - Os dois riram. Eles acabaram conversando mais e o rapaz descobriu que ela era jornalista, mas tocava e fazia bicos em uma banda.

- A garota perfeita, ele pensou. - Eles trocaram números. Depois disso, cada um foi pra sua casa. 

     Ao chegar a seu apartamento, Joshua reparou que aquilo parecia um ninho de passarinhos e resolveu tentar organizá-lo. Era a primeira vez que fazia isso em seis meses. Os seis exatos meses que tinha descoberto a traição, que havia terminado um namoro.
      No outro dia, o rapaz foi para o trabalho, mas antes foi até a cafeteria que existia na esquina de seu prédio. Ele ia lá quando não tinha paciência para fazer seu próprio café e achava muito bom fumar lá, já que existia uma área de fumantes em que só ele ia. Ao chegar lá, pediu seu café expresso, foi para a ala de fumantes e acendeu um dos cigarros da carteira. Alguns minutos depois, ele percebeu a porta sendo aberta e se questionou quem seria, ao se virar, viu que era Emma, abriu um sorriso entre a fumaça que saía de sua boca.

- Você tá me seguindo? - Joshua disse num tom de piada. 

- Eu? Você não sabia que eu sou uma stalker? Adoro seguir as pessoas. - Emma respondeu no mesmo tom. Os dois riram, mas ela logo respondeu realmente a pergunta.

- Na verdade, eu tava querendo esbarrar de novo em você, achei essa cafeteria sua cara quando percebi a ala de fumantes. - Ele riu. Era um sorriso lindo, pensou ela.

    Os dois rostos se aproximaram, os corpos também. Os dois trocaram olhares tão fortes que qualquer um percebia o que estava acontecendo ali, se tivesse alguém naquela sala. Eles ficaram daquela forma por algum tempo, flertando, não tinha uma palavra no ar, apenas olhares. Até que Joshua reparou no relógio em seu pulso e falou: - Eu tô atrasado, muito atrasado, mas a gente pode continuar isso mais tarde, que tal? - Ela respondeu entre um sorriso.
- Claro, me liga dizendo onde e o horário. - Ele piscou em meio a outro sorriso, e saiu correndo, enquanto ela se via derretida, mas não no sentido literal, não ainda.

 *

     As horas não passavam pra Josh enquanto trabalhava ou fingia que o fazia. O relógio apontava 18:00, ele decidiu ligar para ela, sairia de lá daqui a 15 minutos. Conseguiria ir para casa se arrumar.

     No terceiro toque, ela atende ao telefone e dá um Oi tão entusiasmado que o alegra. - Vou sair daqui 15 minutos do trabalho, podemos ir a aquele restaurante, na Rua 15? Te busco aí, quando souber seu endereço às 20:30, para chegarmos às 21:00, exatamente o horário que fiz nossa reserva ok? - Ela riu antes de responder e falou: - Olha, mesmo que você tenha parecido meu patrão, tudo bem, estarei te esperando na minha casa que é na Rua 12, apartamento 7, num prédio de cor salmão, Sr. Joshua. Pelo restaurante devo ir bem arrumada não é mesmo?

- Exatamente, mon cherrie. - os dois riram. - Vou desligar, preciso correr, tenho um encontro. 

*


      Ele estava parado na frente da casa dela exatamente às 20:30, vestindo uma beca que ninguém imaginaria que Joshua teria, estava parado com seu carro Sport vermelho. Ele buzinou, ela o viu pela janela e desceu.

- Como eu estou? - Ele estava totalmente encantado e não conseguia esconder. Ela estava com um vestido avermelhado dois dedos acima do joelho, os cabelos pretos estavam presos em um coque e usava sapatos de salto pretos. Ele apenas conseguiu responder: - Você está linda!

    Os dois pararam em frente ao restaurante alguns minutos mais adiantados, mas a mesa já os aguardava. Eles foram acompanhados pelo garçom, que os entregou o cardápio. Decidiram escolher um vinho tinto e um prato com queijos variados, nenhum deles estava com fome, apenas desejavam a companhia um do outro. Durante o jantar, conversaram sobre tudo, desde vida pessoal até sobre os sapatos da moça da mesa ao lado, o que rendeu muitas teorias.

    Eles saíram em gargalhadas do restaurante, entraram no carro rapidamente e ele foi levá-la em casa. Ao chegarem lá, ela não saiu do carro, ao invés disso perguntou:

- Você não quer subir? Tomar mais vinho, conversar?

- Uma proposta irrecusável.

    Ele estacionou onde seria a vaga do carro dela, se não estivesse no conserto. Os dois subiram, ao entrar no apartamento Joshua reparou que o apartamento cheirava a incenso e cigarros, mas gostava. Ela pediu licença, foi ao quarto trocar de roupa. Ele tirou o blazer e a gravata que vestida. Emma voltou do quarto, ela vestia um short branco, uma blusa regata que mostravam suas curvas. Ela se sentou ao lado de Joshua, que colocou seu braço ao redor do pescoço dela. Ela pareceu gostar, pois se aconchegou.

- Onde a gente tinha parado na cafeteria? - ele perguntou

- Acho que aqui. - ela o puxou pra mais perto, os olhares pareciam ainda mais fortes, os rostos se aproximaram e as bocas foram chegando mais perto e finalmente os lábios dos dois se tocaram. Um beijo que continha todas as emoções juntas, mas principalmente a paixão. A paixão de duas almas que já estavam cansadas de sofrer por falsos amores e de quase chegar ao ponto de não acreditar mais nele.

    Os dois levantaram, ela foi o empurrando em direção ao quarto, acabaram se desequilibrando ao esbarrar na cama, mas não ligaram. Eles terminaram a noite como todo bom casal de amor à primeira vista, não se deixariam tão rápido. Os dois iam se amar como se todos os "E se" não existissem e fossem só eles, Joshua e Emma, um coração para o outro.

O conto está disponível aqui.

3 comentários:

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  2. Muito previsível. É fofo, mas muito clichê. Ainda assim, parabéns pela escrita.

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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  3. Gostei do conto, você escreve super bem. Parabéns. :)

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