26.1.15

+QP | Expectativa Demais

26.1.15

De novo não. 

     Lily era uma moça com 20 anos. Cabelos negros que sempre estavam em um coque. Olhos castanhos que pareciam frios para quem os via. Mas ela era bem diferente do que seus olhos representavam. Ela sentia mais que demonstrava. 
Sério Lily? De novo não! 
— Me desculpe, miss perfeição, se eu tenho expectativa demais em tudo.
— Não é isso. - Disse sua irmã suspirando — Eu só queria que uma vez na vida, suas expectativas não fossem pessimistas. Nossos pais estão com saudades de você. Eles não te veem fazem uns 4 anos. É só um jantar. Uma noite.
Da última vez, quando eu mal havia chegado e eles já estavam julgando minha vida. Eu não quero isso. Por isso sumi daí. 
— Ok. Quer saber? Desisto. Vou deixar você com essa sua frieza e a companhia do pessimismo. Tchau.
     Ela sabia que a irmã estava decepcionada. Mas Lily também estava. Seus pais nunca aprovaram sua mudança pra Boston para concretizar o sonho de ser uma escritora. Por que eles não entendem que foi a oportunidade da minha vida? E que eu não ia jogar fora? Hoje, 5 anos depois, Lily tinha um nome famoso na lista dos mais vendidos. Ela era bem sucedida, mas achava que nem isso faria seus pais mudarem de ideia. 

Achava.

    Passaram-se 2 dias desde a ligação de Elizabeth. E o assunto do jantar não saia de sua cabeça. E muito menos a frase da irmã. 
” Vou deixar você com essa sua frieza e a companhia do pessimismo.”
Ela era sim, pessimista. Nessa profissão aprendera que criar expectativas podia ser desastrosamente bom. Pelo menos, quando envolvia suas histórias. Agora em relação a sua vida pessoal? O melhor era esperar pior. Se não desse certo, não se magoaria. Já havia doído demais. 

    O jantar ainda a incomodava. Seria daqui a 1 dia e em Atlanta. São 3 horas de voo, nada de anormal para Lily, mas valeria a pena? Ela decidiu arriscar uma última vez. Pela felicidade de sua família. 

Ela pegou o voo às 22h. Chegaria a Atlanta às 1h da manhã. Ligara para Elizabeth a buscar e ficaria lá até a hora do jantar. Pediu para sua irmã não avisar seus pais, caso desistisse. Elizabeth concordou dizendo “Você não vai desistir. É a pessoa mais decidida que conheço.”

Chegou ao Hartsfield-Jackson às 2h da manhã por um pequeno atraso do voo. A irmã já a esperava com uma plaquinha que Lily achou ridícula que dizia a escritora deve parar aqui caso se lembre de mim. As duas se cumprimentaram com um abraço e sorrisos. O jantar era hoje. Lily e Elizabeth deviam descansar. Então foram para casa. 

      Eram 15 para 20h. Que era o horário marcado do jantar. Elizabeth morava relativamente perto dos pais. A viagem a carro não demorara tanto. As duas chegaram lá pontualmente e tocaram a campainha. 

As duas foram recebidas com abraços e o pai disse a Lily — Fico feliz de você ter vindo. Muito feliz. Senti saudade, minha filha. Quando a mãe viu Lily demonstrou um espanto que ficou escancarado a ponto do pai interferir. Elas se cumprimentaram como se fossem duas estranhas. Lily lembrou-se que a mãe foi a primeira a julgar seu sonho. 

Todos se sentaram para jantar. 
Então, Lily. Quatro anos hein? Você deve ter muito para nos contar. — a mãe quebrou o silêncio. 
Ah... É... Tenho sim. Lancei 2 livros. E...e os dois estão nos mais vendidos. —Elizabeth ajudou vendo que a irmã travara. O nome dela está nos jornais, revistas. Ela é um sucesso, mãe. 
Que ótimo, não é mesmo? Fico feliz por você, filha. Realmente fico. Você sonhou e alcançou. Você teve expectativas e as superou. — a mãe parou como se fosse chorar, mas logo continuou. — Queria ter acreditado junto com você nisso. Peço perdão pela minha atitude naquela época. Sou sua mãe, deveria ter te apoiado incondicionalmente. — Ela baixou o queixo. 
Tá tudo bem, mãe. Eu... eu deveria ter te entendido. Mas sou melhor com palavras que com sentimentos. — Lily chegou a rir ao ouvir essas palavras saírem de sua boca. 

O jantar continuou como se nada tivesse acontecido e era bom assim. 

    Lily teve de voltar para Boston, mas frequentemente ia a Atlanta ou seus pais vinham até ela. A agora mulher, conseguiu mais uma vez, superar o pessimismo que a perseguiu por tanto tempo. Ela se livrou disso, porque resolveu acreditar. Acreditar que as expectativas boas podem transpassar as ruins. 

As boas expectativas sempre podem ultrapassar as más. Foi nisso que ela apostou.

Essas foram as palavras que digitou na tela do computador.


Esse conto faz parte do projeto Mais Que Palavras. Todo mês é selecionado um tema onde devemos nos desafiar dentro da escrita. Participe do grupo no Facebook clicando na foto abaixo.


24 comentários:

  1. Texto incrível! Amei <3

    www.girlsmachine.com

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  2. Oi Ana. Adorei o texto, me fez refletir bastante essas palavras.
    Parabéns.

    Beijos
    Carolina
    http://aventurandosenoslivros.blogspot.com.br/

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  3. Oi, Ana!
    Bom, eu acho que inicialmente me identifiquei bastante com a protagonista, devido a essa questão de ter uma dificuldade para falar com os pais e ser bem pessimista. Mas eu não diria pessimista, o que acontece comigo é que não quero criar expectativas muito altas, pois sei que ficaria arrasada se elas não se concretizassem. E ainda, ao criar expectativas baixas, fico muito feliz ao superá-las.

    Leitores Forever

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    Respostas
    1. Às vezes eu sonho demais, mas eu sou bastante pessimista rsrs

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  4. Que interessante este projeto, Ana! Adorei!
    E você escreve muito bem, viu?
    Parabéns!!

    Boa semana!
    http://fabi-expressoes.blogspot.com.br/

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  5. Que projeto bacana!! Não tinha conhecimento dele.
    Bom texto :)

    cafeecomletras.blogspot.com.br

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  6. Uau, que conto incrível *-* você escreveu super bem.
    Apesar de não ter me identificado com a protagonista, me solidarizei. Realizou os sonhos mas sem o apoio e a familia por perto. Que bom que tudo deu certo.
    Acho que vou entrar nesse grupo, gosto de escrever.
    Abraços

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  7. Lindo texto! Parabéns!

    http://joandersonoliveira.blogspot.com.br/

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  8. Gostei do projeto você escreve muito bem...
    E o texto fala do que acontece muitas vezes com a gente... Temos tantas expectativas sobre algo e nem sempre as pessoas nos apoiam, mas devemos seguir nossos instintos porque se não vamos ficar sempre com aquele se na nossa cabeça...

    beijos
    Natana
    Colecionando Livros

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  9. O texto ficou ótimo, Ana *--*
    Normalmente, tenho essa regra de não criar muitas expectativas, mas concordo com tua protagonista que às vezes temos que apostar nas boas expectativas.

    Beijos
    Colecionando Primaveras
    Fanpage

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  10. Oie, Ana!
    O texto ficou lindo. O legal é que você conseguiu passar exatamente o que a Lily sentiu e eu até me senti familiariza. Você escreve muito bem! Vou participar desse grupo, Mais Que Palavras, parece interessante.
    Ps: eu nunca crio expectativas, aprendi de um jeito ruim a não fazer isso </3
    Com carinho,
    Celly.

    http://melivrandoblog.blogspot.com/

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  11. Que bacana o projeto e bem legal seu conto! Vc escreve bem!
    Fiquei feliz por Lily no fim. :)

    Samara - Infinitos Livros

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  12. Oii, tudo bem?
    Vc escreve bem! Gostei do texto.
    Realmente criar expectativas boas é bem melhor que criar ruins ou não criá-las...
    Bjs

    http://a-libri.blogspot.com.br

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  13. Oi, tudo bem?
    Eu me identifiquei com a Lily, eu sempre estou de coque e também sinto mais do que demonstro, mas eu não sou muito pessimista não, acho que até sou otimista demais kkkk Enfim, gostei do texto, achei muito bacana o final *-*

    Beijos :*
    Larissa - http://srtabookaholic.blogspot.com

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  14. Ana, amei a crônica. Devemos apostar e o melhor é quando superamos todas as expectativas, né?!
    Também escrevi o meu texto do projeto. Depois dê uma conferida e se está tudo ok.
    Abraços Mika,
    Pensamentos Viajantes

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  15. Não sei se chamaria de pessimismo o que essa personagem apresenta. Creio que ela, apesar de viver no onírico, pois é escritora, tem uma bela noção de realidade, qualidade essa que poucas pessoas possuem e que pode ser confundida com o pessimismo (defeito horrível).

    Beijos,
    Karina do blog Eu e Minha Cultura.

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  16. Que liiiiindo!!!! Amei Ana. você escreve muito bem!
    Ainda bem que ela foi ao jantar!

    Beijinhos!!
    Pensamentos valem mais que ouro

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  17. Que texto lindo, Ana! Fico feliz por sua personagem ter escolhido acreditar nas expectativas boas, quando permitimos elas superam as ruins *-*
    Sua escrita é maravilhosa, quero ler mais rs
    Esperando ansiosamente pelo texto de fevereiro! Beijos!

    www.princesasadoradoras.com.br

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Olá! Muito obrigada pela visita e volte sempre <3

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