16.1.15

CONTO | Morada da Loucura

16.1.15

      Estava correndo em uma floresta. As árvores pareciam falar com ele. Estava assustado e naquele momento não sabia o que doía mais, o peito que parecia estar em chamas ou as pernas. Se sentia perseguido, mas não via ninguém. E quando finalmente se vê fechado em mata...

O despertador toca.

Esses sonhos tão virando rotina pra mim – disse Thomas suado, assustado e ofegante. – E isso precisa e vai parar. Tomas estava na casa dos 30 e já era bem-sucedido, claro que isso se devia em grande parte ao seu pai ter uma grande empresa e ter ensinado tudo ao filho desde pequeno. 

O problema é esse. Vivo a sombra dele. – Thomas falou apontando para a foto do pai em um grande quadro na parede ao lado de sua secretária – continuou – Marca uma sessão com a Dr. Olívia, tô cansado dos meus sonhos malucos. A secretária olhou para ele como se fosse um louco. – Tão lindo e tão maluco.

*

    A sessão estava marcada pra 15h, Thomas estava lá pontualmente. Odiava esperar, logo não gostava de deixar ninguém esperando. A doutora o chamou logo em seguida, como ela era? Não importava, ele só queria um pouco de paz em seu sono. 

Então Thomas, qual é o problema dessa vez? – O jeito que ela falou isso o irritou profundamente, mas ele decidiu relevar. 

Eu estou tendo aqueles sonhos estranhos. Onde eu tô correndo num lugar estranho... Já teve floresta, casa abandonada e até a casa antiga do meu pai.

O seu pai te assombra, não é Sr. Wiley?

Ah! Você acha? – disse ele no tom mais sarcástico que pôde. – Eu fui criado pra ser um segundo Lennard... Mas eu nunca quis ser um. Na verdade, no começo era legal, divertido. Meus poucos 12 anos, ver meu pai ali sendo importante, mas depois? 

*

     Depois de pouco mais que 30 minutos a sessão acabou e nada tinha sido resolvido. – Essa infeliz só gastou meu dinheiro e meu tempo, ÓTIMO! Agora eu volto irritado e frustrado pra casa pra mais uma noite de sono mal dormida.

Thomas pegou o carro e andou sem rumo. Enquanto dirigia um flash o atingiu. Era uma lembrança. “Verão de 1980, dia do nascimento do meu filho” ouviu-se pensar. Os sentimentos daquele dia quente o atingiram de maneira tão forte que sentiu náuseas. Decidiu encostar o carro. Ele sabia que algo estava errado, como poderia lembrar de seu próprio nascimento? Não conseguia se livrar da memória e quanto mais tentava, mais forte ficava. 

Eu realmente tô ficando louco. Definitivamente, maluco. – ele concluiu. – Não está não, meu filho. – esse não era seu pensamento e essa era a voz de seu pai. Um calafrio correu pela espinha só de pensar em seu pai. – Exatamente, meu querido primogênito, seu maior medo está vivo e dentro de você.

Como assim? Não, não pode ser. Ele se foi. SE FOI! Não tem como a consciência dele está viva em mim! – Thomas se desesperou e a voz continuou falando calmamente. 

Meu querido, você sabe que sempre fui muito inteligente. Achava que a morte iria me deter? Não, não mesmo. Quando descobri aquela maldita doença, criei um jeito de me manter minha consciência em estado de inércia dentro de você. O que você viu morto? Meu corpo. E somente ele. Inclusive, minha experiência foi tão boa que estou aos poucos me apoderando do seu corpo. Um gênio, ham?

Thomas se sentia insano e doente. Estava assustado. – Mas...Mas... Como você fez isso, co...comigo? – dizia com medo.

Lembra dos finais de semana da sua infância em que íamos pra cabana da floresta? Em que você não lembrava alguns dos fatos? Então... Era quando eu trabalhava em você. Meu ratinho de laboratório. Thomas sentia uma risada por trás da voz do pai, o que o fez ficar com raiva.

COMO VOCÊ PODE FAZER ISSO COM SEU PRÓPRIO FILHO? EU ERA SÓ A DROGA DE UMA EXPERIÊNCIA PRA VOCÊ? Um rato... Isso que eu sou?

– Pare de tanto drama, moleque. Cresça! SEJA UM HOMEM! E pare de ir para terapia. Qualquer dia desses te internam numa clínica de loucos e se tem uma coisa que eu não quero é ficar preso... Me escute bem, Thomas. Não ouse me aprisionar em algum lugar. Já basta estar aqui.

    Depois daquela frase, tudo foi breu. A vista de Thomas escureceu e logo ele acordou com um choque. Estava em sua cama. Na sua casa. 
Mais um pesadelo? Como vim parar aqui? Cadê meu remédio? – falava em voz alta como se alguém pudesse o escutar.
Não meu querido filho, não foi um sonho. – ouviu-se pensar. 

Então, não era mentira ou mais um de seus pesadelos. Seu pai realmente o tinha transformado em mais uma de suas experiências. – Você nunca quis morrer. A doença só foi um adiantamento, eu fui um filho planejado para os seus planos. Você é doente. – Thomas falou e a resposta veio – Eu? – A voz do pai estava junto de uma gargalhada. Aquilo o fez tremer.

Baixe o conto aqui.
PS: Nesse conto, minha amiga Milena me ajudou. 

18 comentários:

  1. Eu queria muito gostar desse tipo de conto 😭 mas eu amo seu blog de coração e alma. Recomendo continuar escrevendo, pois eu leio mesmo não gostando de algum tipo de conto ou livro 😂💙

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    1. Continuarei sim! Obrigada pelo carinho com o blog.

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  2. Oi, Ana!
    Devo dizer que esse conto me deixou muito confusa. Aprecio coisas surrealistas, mas entendi poucas partes desse texto. Acho que, se ele fosse mais bem trabalhado, ficaria melhor. Há autores que têm uma história na mente, mas não sabem expressá-la direito, sabe? Acham que o leitor já tem todas as informações quando, na verdade, muita coisa ainda falta para a compreensão da história. Acho que aconteceu um pouco isso no seu texto. Acho que ninguém gosta de ler algo que não entende... Não digo que não gostei, na verdade, fiquei bastante intrigada com a história. Achei a premissa muito boa, essa coisa de realidade misturada com sonhos, mas acho que o entendimento ficou meio que pela metade. Os diálogos estão muito confusos, também. Há partes que não se sabe quem está falando e o que é narração e o que é fala. No mais, você escreve muito bem, só resvalou um pouco na construção da história... E, por favor, não fique chateada, apenas quero lhe ajudar. Sou escritora e gosto de dar dicas aos outros! :)

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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  3. A ideia era de um texto confuso. Fiz meu melhor pra entenderem as narrações. Obrigada pelas dicas.

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  4. Oi, Ana!
    Acho que você elaborou muito bem esse conto, realmente gostei dessa "brincadeira" com a versão Thomas e a versão pai de Thomas. Parabéns!

    Leitores Forever

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  5. Olá amore, como sempre escrevendo muitíssimo bem, meus parabéns. Um conto bem interessante que infelizmente teve um fim (quero mais). Não fiquei confusa em relação ao texto, achei bem diferente e muito interessante.
    Foi um dos contos mais bacanas que eu já vi no blog .
    Beijos e muito sucesso guria.
    http://chuvaelivros.blogspot.com/

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  6. Ana, parabéns por escrever contos. Gosto do gênero, mas fiquei confusa um pouco. Se essa era a sua intenção, vc conseguiu mesmo. No entanto, o tema nos instiga a ler até o final.
    Abraços Mika,
    Pensamentos Viajantes

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    1. A relação do tema era isso mesmo, segurar o leitor! :3

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  7. Oii, tudo bem?
    Eu adoro ler contos! Mas confesso que fiquei curiosa com esse final....será apenas mais um sonho?
    Bjs

    http://a-libri.blogspot.com.br

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    1. Leia de novo. O final ficou claro, o que acontece depois que não :)

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  8. Oi, tudo bem?
    Bom, eu devo dizer que gostei do conto, mas o achei um tanto confuso, acho que se você trabalhar mais nele, ele irá ficar incrível, pois a história em si dele é bem interessante. Enfim, recomendo que continue escrevendo, pois você leva jeito, é criativa o/

    Beijos :*
    Larissa - Srta. Bookaholic

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    1. Se um dia eu rever a história postarei novamente. Se não, fica confuso pra vcs pirarem kkk

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  9. Adorei o texto, mas se prestando bem atenção na forma que você colocou as palavras, dá pra entender o conto, mas se não, realmente fica confuso. Gostaria muito de saber o que aconteceu depois, rs.
    Beijo,
    Pacto Literário

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  10. Olá.

    Li o conto e fiquei meio perdido em algumas situações. Acho que deveria ter trabalhado mais nele, de modo que ficasse uma "confusão" compreensível e realmente intencional. Em alguns pontos pareceu que você cortou uma parte só pra resumir e não colocou nenhuma outra para relacionar com o fato seguinte. E seu conto me lembrou um episódio de Criminal Minds, onde um garoto desenvolve dupla personalidade e sua segunda personalidade é a do pai psicopata.

    Beijos!
    http://coolturenews.com.br/

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    1. Olá! As opiniões são diversas kkkkk alguns acharam confuso e outros não. Eu não assisto Criminal Minds o.o Que curioso ser parecido haha

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  11. Olá Ana! Que texto fantástico hein!! Estou aqui me contorcendo para digerir tudo... ou não... Apenas para internalizá-lo!! =D

    Escreves muito bem! ;) Adorei chegar aqui!
    Abraço!

    www.pensamentosvalemouro.com.br

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Olá! Muito obrigada pela visita e volte sempre <3

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