27.3.15

Conto | Teoria JM025 - Parte I & II

27.3.15

     Em Ota, tudo ia bem. Até eu, Anthony por trabalhar na área técnica do Planeta, ser enviado para localizar e determinar qual é a anomalia reportada numa sub-região de Ota.  Esse foi meu maior erro e eu nem sequer podia negar a missão. 


I


        Estamos em 2050 e obviamente muita coisa mudou. O planeta chamado Terra super aqueceu e os humanos que conseguiram sobreviver foram enviados a naves no espaço até que a situação se resolvesse. Já se passaram 15 anos do ocorrido e ninguém nunca os chamou de volta. Vivemos numa sociedade estável de humanos e semi-humanos, como eu. Nós somos vindos de mães humanas de soldados não-humanos criados em laboratório e enviados para a procriação para que não houvesse a extinção. Não ache que semi-humanos são como alienígenas de filmes, eles existem, mas não como os retratavam grosseiramente em filmes terrestres. Somos como os humanos normais com a diferença da tonalização de cabelos e olhos. Temos alguns poucos ataques vindos de outras naves para conseguir mais comida. A nossa é a Ota, ela abriga os humanos vindos da Inglaterra e parte dos Estados Unidos. Em algumas delas foi sim possível dividir por idioma e em outras isso foi um problema, mas que foi logo resolvido pelos nossos governantes. Ninguém é autorizado a divulgar quem são eles para evitar embaraços com as outras naves que são: Jok, Lisd e Ploh. Eles governam o Planeta* (Planeta e nave são a mesma coisa) adequadamente, entretanto escondem muitos segredos que sei por ser um técnico.

   Em um dos meus dias de trabalho, recebi uma ligação vinda da Soberania*. (Nome da classe governante)

– Cumprimento o Sr. Anthony e agradeço por sua vida, esperando que tudo esteja bem.
– Cumprimento a Sra. Soberania e agradeço por suas vidas esperando que tudo esteja bem.
– Infelizmente Sr. Anthony, foi reportado a nós algo não identificado em uma das nossas regiões e você será enviado para localizar, determinar e exterminar o problema.
– Mas... eu...
– Sr. Anthony, devo lembrá-lo que mesmo sendo uma espécie semi-humana* (Alguém que veio de mulher humana da terra e de algum dos soldados não-humanos) que já habitavam nas naves de emergência o Sr. é obrigado a seguir nossos dizeres. O planeta requer sua ajuda e você não pode negá-la.
– Aceito a missão. – disse com rancor na voz.
– Sabia que a aceitaria, Sr. Anthony. Esteja bem.

Me segurei para não gritar ou demonstrar raiva através de expressões. Eles observam tudo.

II

        No outro dia (os dias em Ota duram 20 horas) peguei uma das aeros disponíveis e fui até a área reportada. Não tinha uma localização certa, logo, teria de explorar e aquela não era uma região muito amigável. Ao chegar no local, meus radares já recebiam uma estranha onda. Decidi a seguir, mesmo achando uma péssima ideia. Me vi de frente a uma grande estrutura que só era visível em determinada quantidade de passos. Consegui a localizar devido a tecnologia que carregava em meu radar. E devo admitir, quem quer que dirigisse aquele lugar, estava anos tecnológicos a frente de nós e eu só podia vê-los por adaptações que fiz por debaixo dos panos de Ota.

       Consegui me infiltrar como um dos trabalhadores do local. Ao explorá-lo melhor, percebi que se tratava de um hospital/laboratório. Muitos dos doutores iam em direção a uma grande sala de persianas fechadas. Arranjei um jaleco e os segui. Lá uma mulher em seus 30 anos, nitidamente uma semi-humana já que tinha cabelos azuis, estava em cima de uma estrutura de palanque com uma mesa a sua frente. Tudo era branco e a luz era muito forte, percebi que muitos usavam óculos na sala, deveria ser por isso. A doutora Rayl, como um dos outros a chamara falava.

– Aqui começa uma nova sociedade em que não precisaremos obrigar ninguém a trabalhar pela nossa causa. Teremos cidadãos generosos e voluntários, mas obviamente precisaremos dar um empurrãozinho. – ela dizia num tom sarcástico – E aqui está! – Rayl mostrava uma seringa com um estranho líquido vermelho e um comprimido da mesma cor – A JM025 ou dúctilanil, a nova droga para tornar os seres dessa nave em cachorrinhos obedientes.

A doutora dizia isso com um sorriso nos lábios. Tive que aplaudir, mas era claro que estava absolutamente pasmo com aquilo. O pesadelo de nossa nave estava virando realidade. Eles queriam dominar Ota com uma droga.

      Logo após o grande discurso, um humano foi levado até uma cadeira. Ele não tremia ou coisa do tipo, mas estava tão assustado quanto eu. Dra. Rayl chegou perto dele e com a seringa que antes mostrara, injetou o líquido no pobre homem. Ele parecia estar no meio de um ataque epilético, se contorcia todo até que em dado momento parou. A médica louca o chamou e com uma voz estranha a respondeu.

– Cumprimento a Srta. Rayl, agradecendo por sua vida e esperando que tudo esteja bem.

Ela sem nenhuma cordialidade logo foi exigindo coisas.

– Caro Sr. Rustil, levante-se dessa cadeira, a segure e a jogue naquele senhor. – Ela apontava para um boneco sintético que aparentava como um homem idoso.

Rustil nem resistiu e apenas seguiu os dizeres. Era real. A droga funcionava.

– Bom, claramente os senhores doutores veem que a droga tem suas falhas, mas já funciona. Estamos em teste e esperamos a contribuição de todos vocês para que ela se espalhe logo. Encerro essa reunião aqui deixando um lembrete, se isso sair desse espaço laboratorial e algum de vocês acabar trazendo problemas para nós, serão punidos com a morte.

Não era possível. Ota estava em perigo.

Ps: Esse conto será dividido em partes e está disponível no Wattpad

15 comentários:

  1. Caaaaaaaaara que incrível! Adorei a narrativa e a temática da história, ficou muito boa! Haha por isso não errei ao te indicar num post como um dos blogs mais legais que conheci esse mês :D

    http://chuvadejujubas.blogspot.com.br/

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  2. Simplesmente apaixonada, sério! Eu gosto muito de distopias e gostei muito da construção desse texto. Nem percebi quando cheguei ao final e com certeza eu quero ler mais. Posso só dar uma dica? Senti um pouco de falta de um análise mais profunda do narrador dentro do universo em que ele vive. Só isso.

    http://laoliphant.com.br/

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  3. Oi Ana, tudo bem?
    Amei, amei, amei!
    Você escreve muito bem!
    Bjs

    A. Libri

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  4. Adorei o texto... Ansiosa pelo próximo....

    beijos
    Colecionando Livros

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  5. Hey, tudo bem?
    Gostei muito do início do seu conto. Ficou muito legal e muito bem escrito. Parabéns.
    Beijos.
    Dois Dedos de Prosa

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  6. Oie! Tudo bem?

    Muito bom o conto... Gostei muito! Eu achei a temática simplesmente incrível. Eu gosto de The 100 e achei bem parecido em alguns aspectos. Ponto positivo! =) Parabéns pelo conto. Continue assim e boa sorte!
    Beijos,

    Juliana Garcez |Livros e Flores

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  7. Você escreve muito bem! Adorei o conto, a narrativa e a temática nem se fala, incrível!!
    Seu blog é encantador, parabéns. Tô seguindo, linda. :)
    Um beijão!

    www.tresestacoes.com

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  8. Ana, preciso dizer que amo esse alce colorido do seu blog! Hahahah Agora, vamos ao assunto que interessa: Nossa, fico muito feliz em saber que existe mais gente escrevendo seus próprios contos em blogs! Eu faço o mesmo, seria ótimo se pudéssemos trocar banners. O que acha?
    Um abraço,
    Monalisa
    www.literasutra.com

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  9. Oi Ana
    Nossa voce escreve muito bem minha linda parabens ...
    Adorei a narrativa e ja quero mais


    beijos
    Mayara

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  10. Já disse que escreve muito bem ? Aposto que sim! Está muito bom viu Ana!
    Beijos

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  11. Descobri o wattpad esse fds e amei!
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com.br

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  12. Já conheço seus textos, você escreve muito bem guria ♥
    Beijos, letrasemvida.blogspot.com

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  13. Oi, tudo bem?
    gostei do conto. E pelo jeito, ninguém acredita mais que a Terra tem jeito! kkkkk
    Cada vez temos mais livros e contos com um futuro nada promissor
    beijos
    http://meumundinhoficticio.blogspot.com.br/

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  14. Oiee!!
    Adorei o conto!!
    N conheço ainda o whatpadd, mas qd fizer quero t acompanhar por lá!!
    Bjos!
    Aline Praça
    www.leituravipblog.com

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  15. Oie. tudo bom?
    Parabéns pelo conto distópico. Como uma apreciadora do gênero, eu gostei bastante desse pequeno trecho que você disponibilizou. Não tenho costume de ler pelo Wattpad, mas sei que por lá tem ótimos textos.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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Olá! Muito obrigada pela visita e volte sempre <3

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