1.6.15

Conto | Monstros São Reais

1.6.15
Ilustração de Eli1991



I


         Jane tem 11 anos. É uma menina calma, de olhos quase cinza e cabelos castanhos que fazem caracóis nas pontas. Como toda criança, tem seus medos. O que faz o medo de Jane ser diferente, você pode perguntar: ele é real. 

       Betty e Mark, pais de Jane, já tentaram de tudo para tirar o medo da menina, mas ela insiste que existe um monstro debaixo da sua cama. Mal sabe ela. Toda noite é uma luta para coloca-la para dormir. Eles precisam averiguar a parte de baixo da cama duas ou três vezes e deixar a luz acessa, assim como a porta aberta. Ela sempre acaba cedendo ao cansaço e dorme, mas aí aparecem os barulhos.

— Não se preocupe... — alguém parece bater quatro vezes no chão.

— Monstros não são reais, monstros não são reais. — A menina cita como uma reza.

Os barulhos cedem e o medo se esvai da garota. Ela consegue dormir.


II

— Mãe, ele apareceu ontem de novo.

— Ok Jane, isso já foi longe demais. Monstros não são reais e ponto final, chega! —a menina recuou quando a mãe se aproximou dela — Desculpe querida, mas você precisa entender que já está na hora de virar uma moça.

— Mas... — Jane desistiu de dizer quando levantou o rosto e reparou no olhar de reprovação da mãe. — ok. — ela finalizou cabisbaixa 


Depois da escola, a menina ficava com a governanta da casa, ela decidiu que iria investigar, mesmo com medo, sobre o tal monstro. Ela foi ao seu quarto e revirou cada espacinho. Ficou frustrada ao não encontrar nenhuma prova de que sim, aquele monstro existia. 

— Olha aqui monstro que fica debaixo da minha cama, eu posso ter muito medo de você, mas preciso de provas que você existe, então por favor. APARECE. — Depois de parar para pensar no que tinha falado, ela ficou assustada. Não sabia se realmente queria que ele aparecesse.


        Mais uma noite tinha chegado e Jane não sabia o que esperar. Nessa noite, ela não deu nenhum trabalho para dormir. O que os pais acharam ótimo. Só que na verdade, a menina não dormiu, ela esperou amedrontada, pelo monstro. De repente, os conhecidos barulhos apareceram. 


Toc... Toc... Toc... Toc...

— Finalmente... — Era uma voz tão animada e doce que ela ficou receptiva ao monstro.

— É você mon...stro? 

— Ok, oficialmente, nós temos que melhorar essa nomenclatura e... que tal aumentar o espaço aí debaixo ein? — apontava pra cama ao dizer.

— Ham? — Finalmente o tal monstro se mostrou por completo. Jane estava com a boca aberta e olhos bem arregalados, mas não de susto, não de medo, mas de surpresa. Ele não parecia um monstro, na realidade, era bem humano. Claro, se você ignorasse uma espécie de bengala/cetro que ela vira em histórias de livros em que ele se apoiava e as roupas completamente estranhas e da gravata borboleta.

— Você não é monstro né? Por que você fica debaixo da minha cama? E por que você usa isso? — Jane dizia apontando para a bengala com uma espécie de brilho na ponta.

— O.k, muitas perguntas. Crianças sempre tem muitas perguntas. — falava isso num jeito atrapalhado que deixou a menina rindo — Não, eu não sou um monstro, mas também não sou humano. Só que – ele gesticulou um movimento de silêncio — não conte a ninguém! Eu fico debaixo da sua cama pois eu estou te protegendo deles. E eu uso isso pois é bonito e bastante útil, mas complicado de explicar. 

— Quê? Como assim não é humano? Você parece humano! E me protegendo deles quem? 

— Uma pergunta de cada vez! Eu sou de outro planeta! Sou um Senhor do Tempo, Gallifrey. Sim, eu pareço humano, isso é bom? Sim, isso deve ser bom! Pelo menos eu sou bonito, não sou? Foco! Deles, seus pais... que na verdade não são seus pais. Você também não é daqui! 

— Gallif... o quê? Você tá me confundido. Claro que eles são meus pais. E eu seria de onde?

— Gallifrey. Era um lugar lindo! E você é de Drahvin, muitos nomes difíceis, muitas coisas complicadas de explicar, mas enfim! Eles te roubaram de lá e te trouxeram pra cá. E desde que eu os descobri estou aqui investigando pra não deixar nada te acontecer. Eles são monstros. Monstros são reais, Jane.

— Ok... Isso é... completamente impossível e assustador.

— Se te assusta é porque você acredita.

— Na verdade, eu acho que sim, acredito. Eles as vezes são muito estranhos. Se trancam cada um em uma sala e não me deixam entrar. Nem parecem meus pais. Nem parecem me amar. — disse baixando a cabeça e suspirando.

— Ei! Eles não são seus pais. Seus pais me mandaram aqui e eles sim te amam. — ele levantou o rosto dela com delicadeza — A propósito, eu sou o Doutor. E é hora de ir pra casa!

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III

— Doutor é um nome engraçado.

— É bem melhor que ser chamado de monstro. Isso me ofende. 

— Eu não sabia o que voc...

Ele apontou pra ela fazendo sinal de silêncio. Ela entendeu o porquê quando viu uma sombra estranha na porta do quarto dos pais.

— Eles são Cryons. Vê que eles não são humanos agora? Filtro de percepção, muito espertos. — Jane olhou pra dentro do quarto e viu Betty e Mark que absolutamente não eram seus pais com a pele prateada e olhos fundos, tinham uma cabeça muito grande e brilhante. 

— Tá bom, agora eu acredito muito em você. O que eles querem comigo? 

— Você é especial. Eles precisam de sangue e amostras de pele de um Drahvin que é metade humano para as experiências macabras deles. 

— Ah, ótimo! Sou um ratinho de laboratório. Mas, pensando bem, eles nunca tiraram sangue ou pele de mim. Acho que eu perceberia.

— Não, eles não tiraram. Você é muito jovem ainda. Não é... madura. Eles estavam apenas te guardando pra sabe-se lá o quê. 

— Você não tá ajudando.

— Chega de conversa. Eu preciso te tirar daqui! AH! — ele arrancou do cetro a base diminuindo o tamanho dela pra uma chave de fenda. — MUITO melhor! O Doutor apontou-a para a fechadura da porta da frente da casa e ela se abriu. 

— O.K. O que é isso? — Jane apontou pra TARDIS abismada. 

— Essa é a minha garota... minha nave. — ele estalou os dedos e a porta se abriu. — Entre! Vou te levar pra casa.

— E eles? — ela olhava pra casa.

— Eles? Vão perceber que você foi resgatada por mim — disse se gabando — e não vão querer arranjar mais problemas pra sua espécie. Não se preocupe! Agora nós realmente deveríamos ir. — O Doutor entrou na TARDIS e logo em seguida Jane.

UOU! Agora faz sentido você estar debaixo da minha cama e eu nunca te achar. Aqui é maior por dentro. Isso vai me levar pra casa né? Tipo foguete.

— Sim... tipo um foguete, só que mais rápido. Como ninguém reparou que você não é uma criança normal de 11 anos? Parece um Sherlock Holmes muito pequeno e menina.

— Eu sempre fui muito esperta.

— Claro que sim! Você é brilhante! Só precisava de um pequeno susto... — o Doutor disse isso sorrindo e Jane logo entendeu. Ele tinha usado o seu medo pra lhe mostrar a verdade. Às vezes, monstros são reais, mas não da forma que nós imaginamos.


IV

        —  É hora de conhecer o lugar de onde veio! 

Os dois saíram da TARDIS e ela se deparou com um céu quase lilás com toques de rosa. Uma grande lua ou o que parecia ser uma lua amarelada enfeitava o espaço. As casas eram feitas de vidro e perfeitamente arquitetadas. Era um lugar lindo e familiar.

— Eu sonhava com esse lugar e quando dizia pra mamã... Betty, ela logo retrucava dizendo que era apenas um sonho. Mas não... eu sonhava com minha casa.

— Isso eram seus pais tentando se comunicar telepaticamente. E lá estão eles! — ele se virou com um grande sorriso de satisfação. — Olá Stella, olá Stelios! 

— Jane! — Stella disse com sorriso nos lábios e lágrimas de felicidade nos olhos. 

— Mãe? Sim! E você é meu pai. Eu sonhava com vocês também! — Os três se abraçaram comemorando o finalmente encontro. O Doutor começou a se afastar em direção a TARDIS. 

— PSIU! EI! — era a voz de Jane, o Doutor logo se virou.

— Ah, eu não queria atrapalhar. — ele dizia com um meio sorriso e olhos tristes. 

— Obrigada! Você sabe, por me tirar das mãos dos monstros e por não ser um monstro e também por te me mostrado que eu sou corajosa.

— Eu aceito o obrigado pelo resgate, mas você sempre soube que era corajosa. Eu só fui parte da descoberta. Seja fantástica! — ele sorriu.

— Adeus Doutor! — Jane acenou para o Doutor e ele desapareceu na cabine azul.

Ps: Qualquer semelhança com Doctor Who não é mera coincidência. Isso é apenas um conto de fã. Os direitos são da BBC. Você pode baixar o conto aqui  

10 comentários:

  1. Eu nunca assiste Doctor Who, mas tenho muita vontade de conhecer, já ouvi falar maravilhas dessa serie. Apesar de não conhecer eu adorei sua Fic, achei super legal. Parabéns pelo texto. Beijos

    Floreios

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  2. Oie, Ana!
    Adorei o conto. Mesmo não conhecendo Doctor Who, eu gostei. Virei fã da Jane. É aquela personagem despretensiosa que conquista a gente sem nem ao menos notarmos. Parabéns pelo dom que você tem.
    Com carinho,
    Celly.

    Me Livrando || Livre-se você também!

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  3. Eu não conheço Doctor Who, e confesso que não tenho interesse, mas gostei muito do conto, já estava ficando com medo pela garotinha.
    Bjs, Rose.

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  4. Reconheci Doctor Who no mesmo momento, simplesmente amo esses contos. Minha favorita sempre vai ser a Amy, porque foi umas das primeiras companhias que eu conheci e ela ficou com o Doctor por muito tempo.

    http://laoliphant.com.br/

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  5. Oláá
    Nossa, adorei o conto, muuuito legal hahaha espero ver mais por aqui, realmente bem escrito e bem elaborado ;)

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  6. Ahhhh mds, que conto lindão ! queria saber escrever estórias originais e intrigantes assim, parabéns :D :D ps. SEU LAYOUT É INCRIVEL !!! Beijo bonita!

    www.eunomadiando.blogspot.com.br

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  7. Oi Ana, tudo bem?
    Adorei o conto e depois de lê-lo vou procurar Doctor Who para assistir pois me interessei agora.
    Bjs

    A. Libri

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  8. Olá, tudo bem?

    Que escrita legal e concordo com o pessoal de que você leva jeito, se escreve contos de fã para homenagear o que gosta, com certeza conseguiria escrever contos originais e que, poderiam dar bons livros infantis e ou adultos dependendo do que abordar.

    Beijo!
    Livros & Tal [http://livrosetalgroup.blogspot.com.br/]

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  9. Adorei o conto! Muito fofa a garotinha! Bjsss www.janelasingular.com.br

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  10. Own, muito fofinho! O doutor é amor, gente ^.^
    Gostei de passar por aqui! Já estou ansiosa para saber a sua opinião sobre o Doce Sonho Alado!

    Beijinhos Alados ♥

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Olá! Muito obrigada pela visita e volte sempre <3

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