13.1.18

Resenha | O Urso e o Rouxinol

13.1.18

Um conto de fadas ambientado nas terras geladas da Rússia conhecemos Vasya, uma garota livre que não conhece as limitações. Dunya, sua ama, sempre conta diversos contos sobre lendas e mitos da sua região para ninar a menina. Histórias sobre o Rei do Inverno, Morozko, ou a própria morte são suas favoritas, o espírito se alimenta do medo é das guerras. Dunya conta que deve-se manter os espíritos bem alimentados e honrados para que a proteção da família não seja rompida, mas Vasya sabe que tanto Morozko quanto o Urso (seu irmão) são reais e que eles são um perigo ao povo.

O pai de Vasya, Pyotr vai até Moscou, mas ele acaba voltando com uma esposa, Anna, uma mulher perturbada pela capacidade de enxergar todo tipo de espírito. E a vida de Vasya acaba sendo limitada por causa de Anna que sabe que a menina é diferente. E a vê como mais um dos demônios que enxerga. As duas tem o mesmo dom, mas Anna tem um ponto de vista obscuro. Anna chama um padre para pregar contra esses espíritos que a comunidade alimenta e honra, mas isso só inicia uma guerra na qual só Vasya tem poder de ajudar o povo.

"Aí vem alguém que seria bom comer. Vasya espiou a entrada e viu um homem de cabelo dourado coberto de poeira e o manto escuro de um padre.
Por quê?
Está cheio de desejo. Desejo e medo. Ele não sabe o que deseja e não admite seu medo. Mas sente os dois com uma força a ponto de estrangular." - p. 104







A história é narrada na terceira pessoa, de uma forma bem característica de contos de fadas. Confesso que o ritmo da história é bem lento, é isso acaba tornando um pouco maçante, mas a insistência mostra um enredo bem interessante é bem construído cheio de lendas e um quê sobrenatural. A autora consegue nos inserir no ambiente frio da Rússia e em sua cultura, os nomes podem parecer bem iguais e até difíceis de decorar, mas o leitor pega o jeito. 

A história é uma espécie de conto de fadas mais obscuro, cheio de magia (negra na maior parte) e de elementos sobrenaturais. O enredo tem uma crítica a pessoas que passam a acreditar em algo por terem medo daquilo e não por gostarem. Uma história com críticas sociais, envolvendo os extremos em qualquer área da vida. Só tenho uma crítica na caracterização da nossa personagem que numa idade muito precoce é sexualizada por um pretendente a noivo. Achei uma cena desnecessária, mas se a autora decidiu escrevê-lo tenho que superar. 

No geral, eu indico sim a leitura. É uma fantasia diferente, numa cultura não muito apresentada e cheia de magia.



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