22.8.18

Resenha | Dias de Despedida



❝Na maioria das vezes, a gente não guarda as pessoas que ama no coração porque elas nos salvaram de um afogamento ou nos tiraram de uma casa em chamas. Quase sempre, nós as guardamos no coração, porque, em um milhão de formas serenas e perfeitas, elas nos salvaram da solidão.❞ - p. 272

Dias de Despedida é um livro sensível, cheio de emoções conflitantes e incrível.

O livro vai contar a história de Carver (Blade) tentando lidar com a morte dos seus melhores amigos: Mars, Blake e Eli, eles 4 formavam a Trupe do Molho. No dia do acidente de carro que matou os três, eles estavam indo buscar Carver no trabalho, que impaciente enviou uma mensagem para Mars, que dirigia o carro. Quase no mesmo momento, o Acidente aconteceu e isso mudou a vida de Carver e das famílias dos meninos.
❝[...] O caos é assustador. É assustadora uma existência inconstante em que coisas ruins acontecem a pessoas boas sem nenhum motivo lógico.❞ - p. 229

Carver, além de ter que lidar com a morte dos seus melhores amigos - do qual ele sente que tem uma culpa imensa - também precisa lidar com as ameaças de processo vindas do Juiz Edwards (pai de Mars), com o início do ano letivo, na escola onde a maioria das pessoas está indecisa sobre ele ser culpado ou não, e com o fato de que a irmã gêmea de Eli, Adail estuda lá e o odeia. O garoto se sente muito sozinho, precisando organizar seus sentimentos que são de culpa, luto e muita dor, o que causam ataques de pânico nele, mas ele conta com o apoio da família, principalmente da irmã Georgia que é com quem ele consegue se abrir, a ex-namorada de Eli e agora a única amiga que sobrou - Jasmyn, seu terapeuta Dr. Mendez e a avó de Blake que surge com uma ideia conflitante: um dia de despedida para homenagear Blake.

Ele decide fazer apesar de não saber se isso vai ajudar ou piorar sua situação.
❝Nada despe você e o deixa caído nu e machucado como descobrir que alguém andou contando mentiras maldosas sobre você.❞ - p. 232

Que livro sensacional. Meu coração doeu muito, chorei muito e me senti vivendo o que Carver estava vivendo. Essa é a habilidade de Jeff Zentner escrevendo. Ele consegue, com uma escrita honesta e poética te colocar dentro da história. O livro é narrado na primeira pessoa, pelo ponto de vista de Carver, o que é bem interessante, considerando que ele é escritor. Inclusive, todos eles, estudavam numa escola de artes (sim, no ensino médio, que sonho né?) Cada um tinha seu talento, ilustração, música (Jasmyn também estuda lá) e a escrita com Carver. Acho que me apeguei a basicamente todos os personagens, pela empatia que senti com eles, com o que eles estavam passando ou como eles ajudavam quem precisava. O Dr. Mendez me surpreendeu lá na finalização do livro. Fiquei encantada pelos personagens.
❝Tristeza é um negócio esquisito. Parece que vem em ondas, do nada. Num minuto estou tranquila no mar. No outro, estou me afogando.❞ - p. 132

Foi uma leitura que com certeza vai ter reflexões pra você, assim como teve pra mim. A temática aborda o processo do luto, da dor, de problemas psicológicos advindos da culpa, mas fala sobre amizade, sobre como cada um conhece uma parte de alguma pessoa, mas não a conhece completamente e como é importante se despedir de forma adequada delas. Eu simplesmente não sei o que escrever porque foi um livro que me tocou muito. Espero que você leia e tenha a oportunidade de se sentir como eu.


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